segunda-feira, 15 de abril de 2013

Histórias para aquecer o coração...


O casamento.

Por  Jaguar.

Agora, Fátima, uma, d’entre as várias histórias que conheço a respeito do padre Nino, mas esta tem, para mim,  particular significado, uma vez que dela participei.
Na ocasião ( em 1974 ) eu pouco frequentava a igreja, já que sequer era batizado, mas minha mulher, muito religiosa, frequentava a igreja do padre Nino desde a nossa mudança para este bairro, em 1971.
Ela, muito atuante em qualquer atividade que se envolve, levava os filhos à missa e matriculou-os no catecismo mas, em virtude de não ser casada no religioso, não participava da ceia sagrada, o que chamou a atenção do padre Nino que a interpelou sobre a razão do não recebimento da comunhão.
Ciente do motivo, padre Nino perguntou-lhe se eu me importaria em recebê-lo, em minha casa, em um domingo qualquer, após a missa, para conversarmos. No mesmo dia ela me deu conhecimento da conversa e eu, prontamente, pus-me à disposição do padre Nino.
No domingo seguinte o padre Nino, após a missa, foi à minha casa e pusemo-nos a conversar.
Ele me explicou o significado da comunhão e o sacrifício que era, para o cristão, assistir toda a cerimônia religiosa e não participar da ceia sagrada. Acrescentou que não queria transferir o problema da minha mulher para mim ( em nenhum momento tentou me convencer a tornar-me católico ) mas que ele poderia obter, do bispo, uma autorização para celebrar o nosso casamento, mesmo sem eu me batizar, desde que eu concordasse. Claro que concordei.
Após a nossa conversa passei a freqüentar os círculos bíblicos, que eram realizados nas casas dos paroquianos.
Uma certa quinta feira ( era o dia da semana em que ocorriam os círculos bíblicos na nossa comunidade), dia 27 de outubro de 1974, o círculo bíblico estava agendado para realizar-se em nossa casa e, coincidentemente ( mesmo dia da semana e mesmo dia do mesmo mês de nosso casamento), era nosso 14º aniversário de casamento, motivo pelo qual a Darcy preparou um bolo e refrigerantes, para servir aos presentes.
Como me lembro daquela noite : Os vizinhos já acomodados em sua cadeiras, chegou o padre Nino, todo sorridente, entrando pela porta da frente da casa, batendo palmas e dizendo : Obtive a “dispensa” (que era a autorização do bispo ) para celebrar o casamento de vocês, quando vai ser?
Embora pego de surpresa, não titubeei: Hoje ?
E nos casamos no religioso, ali, na nossa sala de visitas, na presença dos vizinhos e dos filhos.
Hoje a Darcy é Ministro da Eucaristia.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Histórias para aquecer o coração...

O Presente


Uma lembrança leva à outra. Minha intenção não era relatar o meu casamento no religioso e sim o presente que dei ao padre Nino, mas ao lembrar o porquê de eu passar a frequentar o círculo bíblico me fez rememorar o esse fato.
Vamos então ao presente.

Frequentando o círculo bíblico, verifiquei que o padre Nino vinha a pé da Vila Kennedy, uma distância calculada em cerca de 2 quilômetros. Não que seja uma distância muito grande para percorrer a pé, mas o padre Nino dispunha de muito pouco tempo para perdê-lo naquela caminhada.
Combinei com a Darcy e comprei uma bicicleta nova, dando-a de presente para o padre Nino, em uma das quintas feiras do círculo bíblico.
Na quinta feira seguinte o padre Nino chegou, novamente, a pé.
Logo lhe perguntei se havia tido algum problema com a bicicleta, tendo ele dado a seguinte explicação: 

“Sabe, senhor Jaguar, eu tenho um vizinho, que é pedreiro, e estava fazendo uma obra próximo de casa mas, tendo terminado a tal obra, arranjou outra em Magalhães Bastos e não tendo o dinheiro da passagem, estava indo a pé para o trabalho. Como lá é muito mais longe do que aqui, eu lhe dei a bicicleta de presente.”

Mesmo com muita pena do padre Nino, nos conformamos em vê-lo chegar a pé para a realização dos círculos bíblicos.

Jaguar