O casamento.
Por Jaguar.
Agora,
Fátima, uma, d’entre as várias histórias que conheço a respeito do padre Nino,
mas esta tem, para mim, particular
significado, uma vez que dela participei.
Na ocasião ( em 1974 ) eu pouco frequentava a
igreja, já que sequer era batizado, mas minha mulher, muito religiosa,
frequentava a igreja do padre Nino desde a nossa mudança para este bairro, em
1971.
Ela, muito atuante em qualquer atividade que se
envolve, levava os filhos à missa e matriculou-os no catecismo mas, em virtude
de não ser casada no religioso, não participava da ceia sagrada, o que chamou a
atenção do padre Nino que a interpelou sobre a razão do não recebimento da
comunhão.
Ciente do motivo, padre Nino perguntou-lhe se eu
me importaria em recebê-lo, em minha casa, em um domingo qualquer, após a
missa, para conversarmos. No mesmo dia ela me deu conhecimento da conversa e
eu, prontamente, pus-me à disposição do padre Nino.
No domingo seguinte o padre Nino, após a missa,
foi à minha casa e pusemo-nos a conversar.
Ele me explicou o significado da comunhão e o
sacrifício que era, para o cristão, assistir toda a cerimônia religiosa e não
participar da ceia sagrada. Acrescentou que não queria transferir o problema da
minha mulher para mim ( em nenhum momento tentou me convencer a tornar-me
católico ) mas que ele poderia obter, do bispo, uma autorização para celebrar o
nosso casamento, mesmo sem eu me batizar, desde que eu concordasse. Claro que
concordei.
Após a nossa conversa passei a freqüentar os
círculos bíblicos, que eram realizados nas casas dos paroquianos.
Uma certa quinta feira ( era o dia da semana em
que ocorriam os círculos bíblicos na nossa comunidade), dia 27 de outubro de
1974, o círculo bíblico estava agendado para realizar-se em nossa casa e,
coincidentemente ( mesmo dia da semana e mesmo dia do mesmo mês de nosso
casamento), era nosso 14º aniversário de casamento, motivo pelo qual a
Darcy preparou um bolo e refrigerantes, para servir aos presentes.
Como me lembro daquela noite : Os vizinhos já
acomodados em sua cadeiras, chegou o padre Nino, todo sorridente, entrando pela
porta da frente da casa, batendo palmas e dizendo : Obtive a “dispensa” (que
era a autorização do bispo ) para celebrar o casamento de vocês, quando vai
ser?
Embora pego de surpresa, não titubeei: Hoje ?
E nos casamos no religioso, ali, na nossa sala
de visitas, na presença dos vizinhos e dos filhos.
Hoje a
Darcy é Ministro da Eucaristia.